País Que Não Cuida da Calçada Não Cuida do Cidadão


O Brasil Não Falha em Arranha Céus, Falha no Básico

Sobre as praças na cidade mais rica do Brasil, São Paulo.
O grande problema é que o Brasil ainda engatinha quando o assunto é urbanização de verdade. Basta olhar as calçadas do centro de São Paulo. Mesmo quando elas são recem inauguradas com toda a fanfarra.
Elas não chegam nem perto do padrão mínimo de uma calçada nos Estados Unidos, no Canadá ou na Europa. Piso irregular, acabamento precário, falta de acessibilidade, ausência total de planejamento. Isso não é detalhe estético, é infraestrutura básica, é qualidade de vida, é respeito ao pedestre.

E o mais irônico é que uma praça como a Praça da Sé no centro de São Paulo, tem tudo para ser um espaço lindo, vivo e atraente. O espaço existe, a localização ajuda, a vegetação está ali. O potencial urbano está todo dado. Mas a primeira coisa que denuncia o atraso é exatamente o chão que as pessoas pisam. Olhe para as calçadas e você sabe imediatamente que está num país de terceiro mundo. Não precisa de estatística, nem de relatório, basta olhar para baixo.

Em qualquer cidade minimamente organizada como Nova York, Londres, Tóquio, Toronto, essa mesma praça seria classificada como mal cuidada, abandonada, fora do padrão urbano aceitável. Aqui, ela ainda é vista como algo “bonito”, “arrumado”, quase um privilégio. Isso diz muito mais sobre o nosso nível de tolerância ao descaso do que sobre a qualidade real do espaço.

O brasileiro se acostumou com o pouco, com o improviso, com o remendo permanente. Quando o padrão é o nada, qualquer coisa vira luxo. A mediocridade vira referência, e a precariedade passa a ser normalizada como se fosse destino, e não resultado direto de escolhas políticas, falta de planejamento e desprezo histórico pelo espaço público.

Urbanização não é só prédio alto, viaduto e shopping. Urbanização é calçada bem feita, acessível, contínua, segura, bonita. É cidade pensada para gente, não só para carro, obra e placa de inauguração. Enquanto o Brasil não entender isso, vai continuar parecendo moderno de longe e profundamente atrasado quando se olha de perto, exatamente onde o cidadão pisa todos os dias.


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