Lei, Ordem e o Medo da esquerda de parecer “Autoritária”

Hoje, simplesmente não existe um plano concreto da esquerda brasileira para enfrentar a violência. Nada. Só diagnósticos, discursos, análises sociológicas e lamentos. Enquanto a esquerda continua discutindo conceito, tropeçando em palavras e posando de iluminada, esquece que o eleitor quer só uma coisa: quer viver sem medo. Quer andar na rua sem ser assaltado. Quer que o filho volte da escola vivo. É simples assim. E a direita já percebeu que segurança pública é a brecha perfeita para voltar ao poder. E funciona. O caso de El Salvador é o exemplo escancarado e já provou tudo o que precisava provar. El Salvador esfrega essa realidade na cara de qualquer um que quiser ver. A violência desabou. Acabou. Fim de conversa. E a população viu isso, viu a violência despencar. Ponto final. Não adianta ficar dizendo “ah, mas deixaram chefe de facção solto”, “ah, mas tem exagero”, “ah, mas tem crítica internacional”. Isso tudo é irrelevante para o eleitor médio. O que pesa na urna é o fato bruto: a violência despencou. E a população, vendo isso, deu mais de 70% dos votos ao Bukele. Isso é o que importa na política real. Todo o resto é papo para preencher mesa-redonda. Porque para o eleitor tudo isso é irrelevante. O que importa é que ele saiu na rua e viu diferença real. Político que entrega resultado ganha. Político que entrega desculpa perde. A esquerda brasileira realmente acha que vai ganhar votos criticando Bukele? Acredita mesmo que vai conquistar simpatia do eleitor atacando a redução real da violência em outro país? Se continuar apostando nisso, é bom se preparar: porque um dos Bolsonaros vai voltar para a presidência. Sem esforço. Sem resistência. No colo.Por pura incompetência estratégica. E tem mais: Se Lula e seu governo não apresentarem um plano concreto, objetivo, exequível, inspirado em soluções que deram resultado (inclusive as de El Salvador), então sabe quem vai apresentar? A direita. A direita vai apresentar isso como grande avanço civilizatório, posando de salvadora da pátria. A classe média e a classe alta vão repetir o discurso, empurrando a narrativa para a população mais pobre com os mesmos argumentos de sempre: medo, insegurança e ordem.
E aí surge a pergunta: qual o problema de a direita tentar colher dividendos políticos com isso?
Simples. A direita governou o Brasil de 1889 a 1961 e de 1964 a 2002. Ou seja, passou quase um século no comando. Se tivesse a solução para a violência, o país já seria seguro. Vale lembrar que o Comando Vermelho nasceu em 1979, no auge da ditadura.
E antes que alguém diga que na ditadura havia menos violência, existe um detalhe óbvio. Hoje o Brasil tem mais que o dobro da população daquele período. Como a violência não foi enfrentada, ela cresceu na mesma proporção. Como a população de baixa renda, que é a mais vulnerável, cresceu muito mais do que a de alta renda, o impacto se tornou ainda maior.
Em números absolutos, a violência atual é muito superior à dos tempos da ditadura, é o dobro. É uma questão de estatística. Se a população dobrou, a violência dobrou também.
Não se sabe se a esquerda conseguirá resolver o problema. Mas o que se sabe é que, nos quatro anos de Bolsonaro e nos quase cem anos anteriores, quando a direita governou o país, a violência nunca recuou. Pelo contrário, aumentou ano após ano.
Enquanto isso, programas progressistas gastam tempo e energia com discussões vazias, tentando desqualificar o que aconteceu em El Salvador ficam batendo boca com detalhes burocráticos, irrelevantes que não mudam o essencial . Ficam dizendo que El Salvador isso, El Salvador aquilo. Como se o povo realmente ligasse para detalhe técnico.
Esquecem o que o povo realmente quer?
Ele quer chegar vivo de casa. Quer segurança para ele e para os filhos, e quer hoje, agora. Isto é para ontem.
Não quer tese. Ou conceitos. Ele quer sair de casa sem medo de ser assaltado. Quer andar nas ruas sem ter a sua moto ou celular roubado. Simples assim.
O que povo quer é segurança.
E quem oferecer isso: com um plano concreto, com números e com RESULTADOS REAIS, vai colher os votos da maioria.
Quem trouxer apenas discursos, bla-bla-bla vazios, vai colher a derrota na certa.
A política não premia quem tem razão, premia quem entrega resultado.
E, neste momento, a esquerda brasileira está correndo o risco real de entregar a principal pauta do país, e de bandeja, para seus maiores adversários. Justamente aqueles que nunca fizeram nada de concreto para solucionar o problema da violência no país.

