O que impressiona no Brasil não é a falta de infraestrutura. É a falta de ambição. Os comentários derrotistas que aparecem em qualquer debate sobre transporte, desenvolvimento urbano ou modernização não surgem à toa. Eles são o sintoma mais visível de um pensamento encolhido, acostumado a acreditar que o país “não pode”, “não consegue”, “não é para nós”.
E é justamente por pensar assim que o Brasil continua preso numa paisagem de 1970 enquanto o resto do mundo pisa no acelerador.
Países que já vivem no século 21
Comecemos pelos lugares que já estão rodando em alta velocidade:
Marrocos, com uma economia minúscula comparada à do Brasil, já colocou quase mil quilômetros de trem-bala para funcionar.
A Indonésia, com população e PIB parecidos com os nossos, opera trens que correm a 320 km/h.
Turquia, Uzbequistão, Portugal e mais uns trinta países já têm redes de alta velocidade em funcionamento.
Espanha, Alemanha, França? Cada uma tem mais de quatro mil quilômetros.
Até a Arábia Saudita, em pleno deserto, meteu mais de mil quilômetros de trilhos modernos cruzando areia e calor de 50 graus.
Até quem entrou tarde, como a Turquia e a Coreia do Sul, está anos à frente.
Países que estão construindo agora
Enquanto isso, mais uma leva entrou na fila da modernização: Egito, Argélia, Emirados Árabes, Tailândia, Índia.
Todos construindo redes inteiras de alta velocidade para conectar suas regiões e projetar seus países para o futuro.
E o Brasil?
O Brasil é o único país continental que não tem nem um trem de passageiro minimamente decente.
Aqui se discute se “talvez o ônibus seja mais rápido”, se “é caro demais”, se “a classe média prefere avião”, se “um dia quem sabe”.
O país que sempre espera um alinhamento entre Júpiter e Saturno para fazer o básico.
O problema não é dinheiro. O problema é mentalidade.
O pensamento do brasileiro médio é pequeno. Microscópico. Acostumado a esperar pouco, a aceitar pouco, a justificar pouco.
Não é coincidência que: você desce na Tailândia, na Coreia do Sul, na Turquia, e parece que pousou no futuro. Aeroportos impecáveis, infraestrutura moderna, tudo funcionando.
Aí você pousa em Guarulhos e é saudado por aquela estética típica de país subdesenvolvido tentando parecer organizado. Banheiro fedido, caos na esteira, mala sendo roubada na sua frente.
O Brasil não pensa grande. E paga caro por isso.
Porque infraestrutura não nasce de dinheiro.
Infraestrutura nasce de visão, de ambição, de mentalidade coletiva.
Enquanto grande parte da população continuar acreditando que “não dá”, “não precisa”, “é exagero”, “é impossível”, o Brasil seguirá exatamente como é: um país gigante, com potencial absurdo, vivendo com infraestrutura de país pobre por pura falta de imaginação.
E basta ler os comentários derrotistas para entender por que nada anda.
A mentalidade explica tudo. No Brasil, a obra mais difícil de construir não é um trem-bala.
É um pensamento grande.

