Ranking de Liberdade Econômica: Achismo Disfarçado de Ciência


Vocês querem saber como nasce o tal “ranking de liberdade econômica”?
Nada de método robusto, nada de estatística séria, nada de análise estrutural. O instituto manda um email para meia dúzia de empresários em cada país e pergunta algo do tipo “você acha que seu país é economicamente livre?”.
Pronto. Ciência concluída.
Se duvidar, devem até imprimir o gráfico mesmo antes de receber todas as respostas.

Ou seja, não há nada de técnico, nada de científico e muito menos de objetivo nesses rankings. Eles não medem a realidade concreta, não observam infraestrutura, mercado interno, acesso ao crédito, industrialização ou bem estar social. Medem só a opinião de meia duzia de gatos pingados amigos deles. E só. É puro achismo. Impressão pessoal. Sensação subjetiva de quem já tem interesse direto no resultado. E ainda vendem isso como verdade absoluta.

E, claro, não dá para esquecer do detalhe mais “sutil” de todos. O gran finale.

Esses rankings quase sempre são produzidos por think tanks de direita e libertários, com agenda ideológica bem clara, e nenhuma vergonha de assumir viés.
Sempre tem uma agenda ideológica explícita e zero pudor.
O mais famoso deles, é feito pela famosa Heritage Foundation, que coincidentemente os países que seguem sua cartilha sempre aparecem no topo, enquanto os outros que não seguem sua castilha ideologica “falham” no teste da liberdade.
Que coincidência. Que surpresa. Isto não é pesquisa. É panfleto com planilha.

Até porque, vamos fingir por cinco segundos que alguém estivesse realmente interessado em fazer isso direito. Imagine o tamanho do trabalho. O exército de pesquisadores necessário. Gente indo a campo, país por país, legislação por legislação, setor por setor. Estamos falando de 195 países, todos complexos, todos dinâmicos, ano após ano. Isso não é difícil. É praticamente impossível.

E é exatamente por isso que nem o FMI nem o Banco Mundial produzem esse tipo de ranking simplista. Eles sabem o óbvio: com rigor de verdade, isso não se sustenta. Quem publica esses rankings também sabe. Só escolhe ignorar, porque opinião barata dá muito menos trabalho do que pesquisa séria.

Mas o melhor de tudo é o último ato dessa comédia. Sempre tem os desavisados, os iluminados de internet, que acreditam piamente nesses rankings e saem re postando por aí, cheios de convicção, como se estivessem compartilhando uma tábua sagrada descida do Monte Sinai. Leem o título, ignoram o método inexistente e ainda posam de especialistas. Afinal, nada espalha desinformação com tanta eficiência quanto gente muito segura de algo que não entendeu.


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