Sanções matam mais que bombas: como os EUA criaram a maior migração da história das Americas


A verdade incômoda que a Globo insiste em não mostrar.

Você já deve ter visto, claro, aqueles documentários da TV Globo sobre o “sofrimento dos imigrantes venezuelanos” em Roraima. São sempre peças profundamente “sensíveis”. Câmera colada no rosto exausto, criança magra no colo, roupa rasgada, olhar perdido no horizonte. Trilha sonora melancólica, close calculado na fila da comida da igreja.

Tudo milimetricamente coreografado para vender a narrativa clássica. Um drama sob medida para arrancar lágrimas. Só falta mesmo alguém entrar em cena tocando um violino soluçando.

O sofrimento existe, sim. É real. Ninguém discute isso.
O que chama atenção é o teatro montado atrás das câmeras.

Porque há sempre um detalhe inconveniente que a matéria jamais alcança. Aquela parte chata onde se explica como e por que essa crise foi criada.

A Venezuela é tratada como se tivesse sido vítima de um fenômeno da natureza. “Veja só, o país entrou em colapso”. Terremoto? Vulcão? Tsunami? Para quem assiste desavisado, parece que um meteoro caiu em Caracas e pronto, fim da história.

Nenhuma palavra. Nenhuma vírgula. Nenhum rodapé sequer sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos. Zero menção a bloqueios financeiros, confisco de ativos, embargo de petróleo ou à proeza kafkiana de impedir um país de acessar o próprio dinheiro, as próprias reservas.
Nada. Absolutamente nada.

Curioso é que até o Washington Post, um jornal americano, já reconheceu que as sanções dos EUA provocaram na Venezuela um colapso econômico três vezes pior que a Grande Depressão dos anos 30.
Mas isso, claro, não cabe no roteiro emocional da Globo. Estraga a trilha sonora.

Quer entender a verdadeira causa da crise dos refugiados venezuelanos? Faça algo radical. Pesquise “guerra econômica de Trump contra a Venezuela a partir de 2017”.
Os números não mentem. Existe uma correlação direta, escancarada. A migração em massa não começou antes. Ela explode justamente depois que o cerco econômico foi intensificado.

A administração Trump estrangulou o país com método e frieza. Congelou cerca de 1 bilhão de dólares em ouro na Inglaterra. Confiscou mais de 11 bilhões em ativos da PDVSA. Bloqueou o acesso da Venezuela ao próprio dinheiro no exterior.
A CITGO, empresa venezuelana com refinarias, postos e distribuição nos EUA, foi tomada da noite para o dia sob o argumento moralista de que a Venezuela não era uma “democracia plena”.

Tudo isso feito pelos mesmos Estados Unidos que financiam, armam e protegem ditaduras brutais como o Egito ou a Arábia Saudita, países que sequer fingem realizar eleições.
É a velha política dos dois pesos e duas medidas. Nada de novo. Apenas mais explícita.

O resultado foi previsível. Economia devastada. Colapso social. E a maior crise migratória da história da Venezuela. Aliás, tão grande que se tornou uma das maiores migrações da história das Américas.

Hoje, os Estados Unidos impõem mais de 2.300 sanções econômicas contra a Venezuela.
Não uma. Não duas. Não cem. Nem duzentas.
Duas mil e trezentas.

Mesmo assim, a mídia insiste em colocar toda a culpa na suposta “má gestão do Maduro”, sem nunca mencionar o estrangulamento econômico externo. Nunca. Nem por descuido.

Aliás, quando foi a última vez que você leu na grande mídia brasileira uma matéria explicando detalhadamente o impacto catastrófico dessas sanções?
Provavelmente nunca. Porque, como sempre, os idiotas úteis preferem repetir o mantra da “ideologia de esquerda” do que estudar os fatos.

O artigo do Washington Post deixa isso cristalino.
https://www.washingtonpost.com/business/2024/07/26/venezuela-crisis-immigration-us-sanctions-trump/
As sanções de Trump foram o fator central da explosão migratória venezuelana. E quem se der ao trabalho de ler o texto inteiro vai descobrir algo ainda mais constrangedor.
Havia gente dentro do próprio governo Trump alertando que aquelas sanções causariam exatamente isso. Depressão econômica, migração em massa e uma catástrofe social sem precedentes.

Eles sabiam. Previram. Ignoraram.
E tudo o que foi alertado acabou acontecendo. Para desgraça do povo venezuelano.

Mas o espectador médio, embalado pela trilha triste da Globo, sai com outra conclusão. A Venezuela “quebrou sozinha”. Ou foi azar. Ou incompetência. Ou alguma maldição tropical que misteriosamente só atinge países latino americanos.

É um jornalismo curioso. Mostra o cadáver, mas evita apontar quem puxou o gatilho. Mostra o atropelado, mas faz questão de esconder o carro que passou por cima.

No fim, enquanto finge empatia, esse tipo de reportagem ajuda a esconder o crime econômico que produziu a tragédia. A mensagem subliminar é simples e eficiente. “Olha como o governo deles fracassou”.
E os responsáveis reais seguem fora do enquadramento. Invisíveis. Intocados.

Isso não é jornalismo.
É propaganda com maquiagem de reportagem.


Leave a Reply

Discover more from ALFORRIA MENTAL

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading