Reconstrução pressupõe que alguém quebrou a casa por dentro. No caso da Venezuela, a casa foi cercada por fora, as portas trancadas, a água cortada e depois ainda exigem que o morador agradeça a “ajuda humanitária”.
Basta os Estados Unidos suspenderem todas as sanções, devolverem os 160 bilhões confiscados da PDVSA, devolverem o ouro venezuelano retido em Londres e pararem de asfixiar o sistema financeiro do país. Só isso. Nenhum milagre econômico, nenhuma fórmula mágica, nenhuma cartilha do FMI.
Antes das sanções, a Venezuela tinha crescimento, investimento público, redução da pobreza e capacidade real de importar alimentos, remédios e insumos. O colapso não caiu do céu nem nasceu de uma suposta incompetência genética. Foi produzido, planejado e executado como política de Estado.
Falar em “reconstrução” sem mencionar sanções, bloqueios, confisco de ativos e sabotagem financeira é desonestidade intelectual. É como quebrar as pernas de alguém, jogar a pessoa no chão e depois perguntar por que ela não está correndo.
A Venezuela não precisa ser reconstruída. Precisa apenas que parem de destruí-la.

