Democratas: A Face Educada do Mesmo Império


Democratas são apenas o outro lado da mesma moeda.

Os Democratas são diferentes?
Não, eles não são diferentes. Biden fez exatamente o que todo presidente dos Estados Unidos antes dele fez. Apoiar Israel de forma reflexa e sem condições, como se isso estivesse esculpido em alguma parte da Constituição entre a Cláusula do Comércio e o direito de imprimir dinheiro. Isso não foi um desvio dos valores democratas. Foi a tradição funcionando normalmente. Mesmo roteiro. Outro ator. Outro tom de voz. Mesmo resultado.

E a Ucrânia. Poupe-nos do conto de fadas. Biden e Obama não tropeçaram nessa guerra por acidente, como turistas confusos da geopolítica. Eles ajudaram a preparar o terreno. Victoria Nuland, a favoria de Biden e Obama, estava por tras dos protestos de Maidan na Ucrania.
Anos de expansão da OTAN vendidos como “cooperação defensiva”, engenharia de regimes reembalada como “promoção da democracia” e a velha ilusão de Washington de que ações não geram consequências. Depois todos fingem surpresa quando a conta chega. Como se a geopolítica funcionasse à base de boas intenções e vibes, e não de causa e efeito.

Mas claro, é mais fácil fingir que tudo começou ontem. Um vilão acorda um dia e decide o caos. Essa história é confortável. Não exige memória, nem responsabilidade, nem admitir que a política externa dos EUA está no piloto automático há décadas, batendo no mesmo muro repetidamente e chamando isso de liderança.

E não vamos mitificar Obama também. Quando ele tinha apoio popular massivo e controle total da Câmara e do Senado, o que ele fez com isso. Empurrou uma reforma estrutural de verdade na saúde. Uma opção pública. Medicare para todos. Claro que não. Entregou o Obamacare, um compromisso cuidadosamente desenhado para não incomodar nenhuma seguradora e não ameaçar nenhum modelo de lucro. Uma política que conseguiu a façanha de aumentar o valor das apolices enquanto era vendida como uma revolução histórica. Branding brilhante. Letras miúdas muito modestas.

Foi também essa mesma administração que espionou chefes de Estado aliados. Brasil. Alemanha. Países amigos. O telefone de Angela Merkel não se grampeou sozinho. Dilma Rousseff não estava imaginando coisas. Aparentemente, vigilância em massa é perfeitamente aceitável desde que venha acompanhada de discursos elegantes, dicção calma e uma palestra bem ensaiada sobre valores democráticos compartilhados.

Em política externa, sejamos honestos por cinco segundos. A Líbia foi destruída sob Obama. A Sérvia foi bombardeada sob Clinton. O Iêmen queimou sob Obama e Biden. O Afeganistão colapsou depois de duas décadas de delírio bipartidário. Então não, esse partido não é fundamentalmente diferente. A retórica muda. Os slogans evoluem. Os mísseis permanecem. O calendário vira. O logotipo do partido muda. A contagem de corpos continua.

E a imigração. Outro mito reconfortante. Biden deportou mais pessoas do que Trump em seu primeiro mandato. Mas como isso aconteceu em silêncio, sem ataques de fúria diários e sem tweets histéricos, isso deve contar como humano. Mesma política. Menos espetáculo. Aparentemente, a crueldade se torna aceitável quando é aplicada com educação e explicada com linguagem empática.

Então não, os democratas não são o antídoto. Eles são o outro lado da mesma moeda. Um lado mais liso. Mais educado. Melhor vestido. Mais fluente na linguagem da empatia e das normas institucionais. Mas ainda assim, a mesmíssima moeda. A mesma lógica imperial. O mesmo intervencionismo. O mesmo Estado de vigilância. A mesma crença de que o poder, quando exercido com polidez, deixa de ser poder. E o slogan usado por todos os partidos e todos os presidentes, segue sendo o mesmo: A America em primeiro lugar.


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