A Mídia “Independente” Americana e os Tambores de Guerra de Washington


Quando a Guerra Começa, a Mídia Independente Americana Bate Continência

Engraçado como, no exato momento em que os tambores da guerra começam a rufar, até a chamada “mídia independente” descobre um senso perfeito de ritmo e passa a marchar, milagrosamente, em sincronia com o regime americano. Que coincidência. Que timing impecável.

Numa semana, o Prêmio Nobel da Paz é entregue a uma figura da oposição venezuelana. Na outra, Cannes estende o tapete vermelho para dissidentes iranianos. Arte, cultura, jornalismo, ativismo, todos corajosamente alinhados aos pontos de pauta da política externa de Washington. Um verdadeiro ato de bravura.

E então temos o Democracy Now, supostamente o tio rebelde no jantar de família. Na prática, ele se comporta como um velho tambor, repetindo fielmente a mesma cadência de guerra, no mesmo ritmo, na mesma melodia. Embalagem diferente, trilha sonora idêntica.

Mas claro, esqueça as sanções. Esqueça o estrangulamento econômico imposto pelos Estados Unidos e seus aliados ao Irã e à Venezuela. Esqueça ativos congelados, sistemas bancários bloqueados, indústrias embargadas, a asfixia financeira transformada em política de Estado. Isso aparentemente é chato demais, inconveniente demais ou perigoso demais para ser mencionado.

Assim, você vê Maria Corina Machado e Jafar Panahi explicando como os governos de seus países seriam economicamente incompetentes, corruptos ou disfuncionais. Tudo bem. Mas, curiosamente, não aparece uma única linha sobre como essas economias foram deliberadamente sufocadas, isoladas e sabotadas de fora para dentro. É como assistir alguém empurrar um homem para debaixo d’água e, em seguida, entrevistá-lo calmamente sobre por que ele não consegue respirar.

O Democracy Now, orgulhosamente neutro no papel, amplifica essas vozes dissidentes com enorme entusiasmo, enquanto mantém cuidadosamente o figurino do jornalismo independente. A marca permanece limpa. A narrativa permanece obediente. Todos se sentem virtuosos.

O desfecho trágico é que o Pentágono e o Departamento de Estado já nem precisam mais gritar. Suas narrativas estão tão bem lapidadas, tão ensaiadas, que todo o ecossistema midiático, da direita à esquerda, apenas produz remixes alternativos da mesma música. Tom diferente, letra idêntica.

No fim das contas, apenas uma história realmente chega ao público. Aquela que se alinha perfeitamente aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Todo o resto vira ruído de fundo, dissidência decorativa ou teatro útil para quem ainda acredita que está consumindo pensamento independente.


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