
Como as grandes potências ignoraram o livre mercado para se industrializar e dominar a economia mundial
Adam Smith era profundamente confiante em seu modelo econômico e defendia que as nações prosperam quando se especializam de acordo com suas vantagens naturais. No caso dos Estados Unidos, Adam Smith dizia que os Estados Unidos deveriam se focar mais em agricultura, matérias primas e comércio, enquanto a manufatura industrial permaneceria concentrada na Europa, especialmente na Grã Bretanha, que já possuía capital, infraestrutura e vantagem tecnológica.
Na teoria, a lógica é convincente. A especialização aumenta a eficiência. O comércio amplia a prosperidade. Cada país foca naquilo que faz melhor. Mas a história real raramente se desenvolve de forma tão limpa quanto os modelos econômicos sugerem.
Se os líderes americanos tivessem seguido essa lógica de forma rígida, os Estados Unidos poderiam ter permanecido como eternos fornecedores de algodão, grãos, madeira e minerais para as fábricas europeias. Haveria pouco incentivo para proteger a indústria doméstica, investir pesadamente em manufatura ou impulsionar o desenvolvimento tecnológico interno.
Em vez disso, o país seguiu outro caminho. Protegeu indústrias nascentes, financiou ferrovias e infraestrutura, apoiou a inovação e, gradualmente, construiu uma das maiores economias industriais do mundo. Aço, automóveis, aviação, eletrônicos e, posteriormente, o setor de tecnologia transformaram a nação muito além do que uma trajetória puramente agrícola teria permitido.
Isso não significa que Adam Smith estivesse totalmente errado sobre comércio ou especialização. Suas ideias continuam sendo de certa forma importantes para a economia moderna. Mas também revelam os limites de aplicar teoria de forma rígida a países reais. O desenvolvimento não é apenas uma questão de eficiência. Envolve poder, segurança, empregos e estratégia nacional de longo prazo.
Os Estados Unidos se utilizaram de tarifas, de investimentos em infraestrutura e de políticas industriais profundas no século XIX para construir sua capacidade manufatureira.
E os Estados Unidos não foram a unica exceção ao se afastar de um caminho de livre comércio puro em sua fase de formação. Outros países tambem o fizeram.
A Alemanha se industrializou com forte coordenação estatal e proteção no final do século XIX. O Japão recorreu a políticas industriais agressivas durante a Era Meiji para modernizar setores estratégicos. A Coreia do Sul sob a ditadura de 20 anos do General Pak, desenvolveu suas indústrias de exportação com planejamento estatal, subsídios e proteção antes de liberalizar a economia.
A China combinou direção estatal com abertura gradual de mercado para se tornar uma potência manufatureira. O Vietnã seguiu sequência semelhante, com reformas conduzidas pelo Estado e posterior industrialização voltada à exportação. Taiwan adotou reforma agrária, planejamento estatal e apoio industrial direcionado antes de avançar para uma liberalização mais ampla.
Na prática, muitos dos países que se industrializaram com sucesso primeiro protegeram e desenvolveram suas indústrias domésticas e só depois caminharam em direção a mercados mais abertos. As ideias de Smith moldaram o pensamento econômico global, mas o desenvolvimento real tem sido estratégico e sequencial, não puramente laissez faire desde o início.
Ou seja o fechamento e a proteção da economia nativa foram as bases de todas as maiores economias industriais do mundo.
